Duda Beat explora o amor próprio em tempos de relações líquidas no álbum ‘Sinto Muito’



A cantora pernambucana Duda Beat, radicada no Rio de Janeiro, lançou em abril o álbum Sinto Muito – primeiro trabalho sólido que traz 11 faixas produzidas por ela em parceria com o atual namorado Tomás Tróia. Segundo a cantora, o registro é uma compilação de desabafos amorosos que flerta com o pop, axé, trap, R&B e tecnobrega.

Para quem não conhece a moça, ela já colaborou como backing vocal na música “Que Estrago”, de Letrux, e também emprestou a voz no recente trabalho de Castello Branco. O disco de estreia da recifense levou dois anos para nascer, entre vivências e experiências ao longo desse tempo.



O disco já começa com a introdução seguida da faixa “Bédi Beat”, um tecnobrega envolvente e ressentido sobre um amor aparentemente indeciso. Encorpado por batidas cintilantes do brega com consistência elegante e futurística, Duda Beat indaga ao amado suas intenções: “E eu vivia à flor da pele, nem percebia / Visto que você nunca me ligou / Mas pergunta por aí como é que eu tô / De que tipo é o seu amor?”.

Em “Bixinho”, canção que abre a divulgação do disco, a cantora explora um amor novo e os medos de se entregar a alguém em tempos de amores contemporâneos – dando espaço para o desapego e em como ele pode ser gostoso numa relação. Flertando com o axé e o pop, a produção traz uma deliciosa combinação de trombones, agogô e teclado para criar a atmosfera perfeita desta paixão.

O single tem um videoclipe pela ótima Obvious Agency, responsável por diversos vídeos sobre moda e música, e gravado somente com iPhone X e drones. Na trama, Duda conhece o amor de uma forma leve e casual.



A mistura de referências em Sinto Muito é, definitivamente, o ponto alto da obra. As faixas “Pro Mundo Ouvir” e “Parece Pouco” bebem da fonte do trap e R&B de forma transcendental: recheado de batidas sintetizadas e experimentais que colocam o ouvinte para dançar e sofrer ao mesmo tempo.

Composições que falam abertamente de desilusões amorosas e términos mal resolvidos, assim Duda Beat canta sobre temas atuais de amores líquidos – parafraseando Bauman sobre a ideia de que as pessoas não estão se adaptando ao outro e, sim ao que ele tem para oferecer. “Bolo de Rolo” e “Back to Bad” são amostras claras desse tipo de relacionamento.



“Ninguém Dança”, uma das faixas favoritas do compacto, é uma balada poderosa sobre como a tecnologia tem distanciado as pessoas da interação básica. A típica cena fez com que desse um adeus ao amor e amigos numa balada em que ninguém se olha. Aqui, reconhece o que não faz bem e coloca o amor próprio em evidencia.

O disco termina com uma das canções mais intensas e íntimas do repertório: “Todo Carinho”. Duda Beat deixa claro suas intenções com o amor e que não está disposta a viver um relacionamento pela metade.



Composta por uma percussão crescente, arranjos de cordas e violinos, a música faz um delicioso desfecho de uma obra encharcada de sentimentos, sem soar clichê ou piegas: “todo carinho do mundo para mim é pouco”.

Sem dúvida alguma, o disco é um delicioso disco pop com pinceladas das melhores influências atuais. É um registro autoral sobre como o amor nem sempre pode ser bom, mas ainda há a necessidade de possui-lo. Sobre como nossas relações atuais se distanciam da forma como aprendemos a amar em outras épocas, muitas vezes influenciado por distrações momentâneas.

O trabalho deixa uma conclusão deliciosa, apesar dos pesares, de que a superação surge acompanhada de um tipo de liberdade – dessas que a gente alivia o peito e passa a respirar melhor.



Sinto Muito reflete sobre o tipo de amor que queremos ter do lado e, ao mesmo tempo em que coloca o amor próprio em evidência, sabe exatamente o que espera de uma relação. É como dar adeus a um amor incompleto e ao mesmo tempo dizer com todas as letras o grau de intensidade de como deseja ser amada.

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