O mergulho intimista e audiovisual de Luiza Lian no disco ‘Oyá Tempo’



Luiza Lian é um desses nomes deliciosos da música brasileira que surge para nos tirar da zona de conforto – ou proporcionar o conforto que nos falta. Depois de experimentar uma estreia morna com o lançamento do álbum homônimo em 2015, a cantora decidiu fazer diferente no lançamento de ‘Oyá Tempo’, o segundo registro de inéditas da carreira.

Lançado na internet no sistema “pague o quanto puder” para receber o download do trabalho, ‘Oyá Tempo’ é uma espécie de celebração entre a tradição e a contemporaneidade. Luiza colocou, em pouco mais de vinte e cinco minutos de duração, suas principais influências da música, crenças, relacionamentos e espiritualidade.

O disco traz a produção de Charles Tixier (Charlie e os Marretas/Holger) e a inspiração das composições veio a partir de vertentes do seu cotidiano: cânticos umbandísticos, sample de faixas tradicionais e influências do funk, trap e trip-hop. Um convite irresistível para transitar entre paisagens urbanas e paradisíacas em atos completamente diferentes, como podemos conferir em “Tucum” e “Oyá”, que celebra a tradição do Santo Daime e da umbanda.



Ainda há espaço para temas sentimentais, “Cadeira” e “Tem Luz (Úmida V)”, onde o amor e a empatia se mostram evidentes. Enquanto “Pó de Ouro” é um cântico sobre a vida e morte, cantado belissimamente como um poema declamado.

“Oyá Tempo é a representação da encruzilhada das cidades, o cruzamento de nossas múltiplas ancestralidades com os ventos globais que caracterizam esta época.”, complementa o release oficial do álbum. Não há dúvidas que o registro é uma comemoração atual e envolvente com o que existe de mais envolvente na relação natureza-humano. O resultado é uma obra atemporal e digna de ser apreciada com atenção e de coração aberto.

O álbum também traz o média metragem com a jornada de descobrimento e relação de um casal. A direção fica por conta de Camila Maluhy e Octávio Tavares, da produtora Diaba.


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