Thalles surge inspirado pelo folk e blues sentimental no álbum ‘Utopia’



É cada vez mais comum encontrarmos artistas versáteis que apontam a criatividade para inúmeras seções da arte, como a música, a dramaturgia e até mesmo poesia. Quem vê o gaúcho de 23 anos, Thalles, na tevê não imagina que a sua criatividade se estende na música e composição. Depois de um EP bem recebido, ‘That's What We Were Made For’ (2013), o jovem surge inspirado pelo seu universo no álbum ‘Utopia’.



Inspirado pelo folk rock e blues e encontrando abrigo nas composições de Jeff Buckley, Thalles entrega um trabalho que flerta com o experimentalismo cru e sentimentalismo em faixas bem produzidas – todas cantadas em inglês. Unindo forças com outra maior paixão, o teatro, o rapaz cria uma espécie de trilha sonora perfeita para seus personagens fictícios em cada uma das onze faixas que compõe o trabalho, como é o caso de “Mr. Lonely”, uma espécie de viajante solitário em busca do seu verdadeiro eu – o álbum traz muito dessa essência andarilho da estrada.

Apesar de ser um disco composto para uma geração em que se preocupa com batidas pop e eletrônica, Thalles encontra fuga pelo lado oposto e destila sua alma ora piégas, ora sonhadora, em melodias inspiradas pela década de 80 – como na faixa “Olivia”, que traz uma introdução densa que serve de palco para a história de uma mulher transexual e sua jornada em busca de libertação (assumidamente inspirada na peça teatral ‘BR Trans’).

“Sad Boys Club”, um dos principais singles do disco, é uma balada sentimental que flerta com o pop, o blues e o rock de maneira envolvente. Acompanhado por uma percussão sagaz, piano melódico e riffs de guitarras despojadas, o artista infla sua aura melancólica e boêmia para falar de um garoto que vive nas ruas procurando prazer em troca de dinheiro.



A instrumentação é outro detalhe marcante de ‘Utopia’, que chega a utilizar instrumentos como charango, viola, violino e quarteto de cordas como base de sua jornada. A melancólica “You, The Ocean and Me” é outra aposta certa do compacto ao utilizar o filme ‘Os Famosos e os Duendes da Morte’, de Ismael Caneppele, como metáfora para contar a história de duas pessoas separadas por um oceano. Composta por uma deliciosa combinação de violões e guitarras, a música simplesmente se engrandece na medida em que Thalles desdobra a trama.


Capa de 'Utopia'

O saldo final de ‘Utopia’ é realmente proveitoso e promete agradar não só quem aprecia o folk e o rock, como também o pop. Utilizar-se da arte cênica para contar histórias de protagonistas fictícios parece ser a melhor maneira de encontrarmos empatia pelos personagens e a suas duras realidades – sempre bem embalados por uma boa trilha sonora. Essa é a verdadeira utopia que devemos enxergar de cada canção aqui apresentada.

Ouça o disco na íntegra:



O álbum ‘Utopia’ é resultado de um financiamento coletivo promovido pelo artista entre seus fãs na internet. A produção do trabalho é de Edu Malta e a capa é assinada pelo artista alemão Valentin Fischer.
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