Resenha: Róisín Murphy exibe todo o seu poder criativo em 'Take Her Up To Monto'



Pouco mais de um ano separa o aclamado ‘Hairless Toys’ (2015) – disco indicado ao Mercury Prize na categoria de álbum do ano – e o atual lançamento da cantora irlandesa Róisín Murphy, ‘Take Her Up To Monto’. Apesar de gravados durante as mesmas sessões, assim como os discos ‘Depression Cherry’ e ‘Thank Your Lucky Stars’, da dupla franco-americana Beach House, os trabalhos realizados por Murphy trilham caminhos diversos quanto à sua temática, mas com um objetivo em comum: o de mostrar todo o seu poder criativo enquanto produtora, em parceria com seu colaborador de longa data, Eddie Stevens.

Deixando cada vez mais de lado a eletrônica comercial, que ainda apresentava resquícios no registro anterior na canção “Evil Eyes”, Róisín leva o ouvinte por um caminho de experimentações e exploração de elementos sofisticados, criando composições agradáveis de serem ouvidas, que reúnem em suas faixas gêneros como música ambiente, downtempo e outros sub-gêneros da eletrônica convencional. Um bom exemplo disso são as cativantes “Lip Service” e "Whatever".



Focando-se em uma estética voltada para construções, arquitetura e afins – fato explicitado através dos teasers liberados anteriormente ao disco e no videoclipe da canção “Ten Miles High”, Murphy entrega um trabalho completo e complexo, utilizando-se de metáforas, críticas e acidez em cada uma das nove faixas que compõem o quarto registro de estúdio da irlandesa. Além disso, Murphy traz em suas letras referências explícitas ao seu atual namorado, o produtor italiano Sebastiano Properzi.


Criando verdadeiras sinfonias através de suas faixas, que em média figuram na casa dos cinco minutos de duração, Róisín entrega movimentos conscientes e seguros em cada canção, mantendo o controle em todos os momentos do álbum. Com isso, a artista cria um trabalho aconchegante e acolhedor, pronto para tomar para si por completo a atenção do ouvinte.



‘Take Her Up To Monto’ serve como uma excelente apresentação da obra de Róisín Murphy ao público que não conhece o trabalho da irlandesa. Devorar o restante da discografia-solo da ex-integrante da banda Moloko é o próximo passo.



Ouça: “Mastermind”, “Lip Service”, “Ten Miles High’ e “Romantic Comedy”.
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