Antonia Morais explora o sex appeal da música eletrônica no EP 'Milagros'



Para alguém que prefere passar as noites agarrada ao namorado, comendo bolo de chocolate e vestindo um pijaminha fofo e nada descolex, é um pouco mais difícil se apaixonar pela música eletrônica, especialmente se produzida aqui no Brasil, onde a divulgação não é massiva. Lembro-me de que a última vez que me entusiasmei com a música eletrônica nacional foi com o furor em torno do Copacabana Club e do Cansei de Ser Sexy, há quase dez anos. No entanto, Antonia Moraes, fisgou-me de jeito.

Antonia Morais é atriz, modelo, compositora e cantora. Todas estas habilidades artísticas podem ter sido estimuladas pelo meio em que cresceu: a moça é filha da atriz Glória Pires e do compositor Orlando Morais. Depois de fazer alguns papeis na Rede Globo, Antonia resolveu se lançar no meio musical e produziu o EP 'Milagros' durante o ano de 2014. Sobre este novo projeto, Antonia declarou em seu site oficial:

"A musica é um canal direto com tudo que é sagrado. Uma viagem transcendental onde nada pode ser julgado ou condenado. Um 'lugar' distante e subjetivo para onde somos transportados quando uma melodia toca nossos corações. E por fim, um universo lúdico de luzes e cores, onde tudo se torna possível."

Ao todo, são sete faixas. "Rise and Shine" é uma ótima introdução para o EP Milagros, com batidas sensuais e decadentes. Impossível não se lembrar do trabalho do Massive Attack em "Angel" - também assistimos novela, pessoal. Há uma pitada da música funk ao final da música, com as famosas batidas que nos contagiam com o ritmo carioca. A faixa é encerrada com sussurros, em uma vibe sensual que perpassa todo o EP. De repente, somos surpreendidos por sonoridades que poderiam nos levar a um jogo de TETRIS. "Japanese Karaoke" traz elementos orientais que se entrelaçam à tropicalidade da voz de Antonia, em uma combinação harmônica e contemporânea.



O jogo de influências se repete em "Child", que traz um pouco do acid jazz dos anos 90 para o synth pop de nossos dias. O toque especial fica por conta das crianças que dão vivas em meio à canção. Já "Kepler 186F" vai às referências caricatas do futurismo, com vozes metalizadas, quase indistinguíveis. Em meio a este futurismo fantasioso, a voz de Antonio emerge como um suspiro. "Fuel" nos traz rapidamente de volta ao presente, com influências hip hop. Os versos são um tanto desconexos, e sinto que o ritmo não favorece o trabalho de Antonia Moraes.



Se a última faixa me decepcionou ligeiramente, "Revolution Of the Mind" surge como uma das pérolas do álbum. Próxima à música eletrônica francesa, a faixa nos imerge um novo nível de escuta quando uma guitarra rústica irrompe a serenidade da faixa. "7 Seconds to Youth" soa ácida, como uma música capaz de transformar e requintar ambientes.

'Milagros' é um trabalho de alta qualidade que introduz Antonia Morais a`cena musical brasileira com confetes e ribombos. Vale a pena fazer uma audição completa do álbum e se apaixonar pelas referências visuais da compositora.



Valeu pela dica de post, Murilo Petters.
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