Resenha: Marina and the Diamonds – ‘Froot’



Com o perdão do trocadilho, e afirmo que esse texto conterá muitos, começo essa resenha afirmando que Marina Diamandis tem mais faces que a pedra em seu sobrenome. Em pouco mais de 8 anos de carreira, a cantora / compositora / instrumentista responsável pelo projeto Marina and The Diamonds já fez de tudo um pouco, indo de completa desconhecida no meio musical até se tornar uma das maiores representantes da música indie, ainda que seu som flerte em diversos momentos com a sonoridade mainstream, arrebatando uma legião de fãs, tocados quase que instantaneamente pelas suas composições honestas e sua sonoridade bem construída.


A cantora galesa possui uma discografia impecável, com o icônico ‘The Family Jewels’ (2010) e o elogiadíssimo ‘Electra Heart’ (2012) precedendo o atual lançamento, ‘Froot’, aguardado com ansiedade pela crítica e fã-base da artista.

O atual trabalho possui características curiosas em sua composição, sendo algumas delas a variedade de temas abordados – ainda que o principal seja o entendimento da mente de Marina acerca do mundo, o fato das composições serem completamente autorais, indo contra o registro anterior, que continha uma base grande de colaboradores e a sonoridade diversificada, do indie pop ao rock, passando pelos synths dos anos 80 e bebendo das mais diversas fontes, formando uma verdadeira salada de frutas.


Apesar do caráter aparentemente lúdico e doce do trabalho, ilustrado através da combinação de frutas com o espaço sideral, ‘Froot’ é um disco de composições amargas e carregado de ironia, sendo possível observar isso em diversas faixas, como a tristonha balada “Happy”, que abre o trabalho, além da ironicamente feliz “Blue” e da ácida “Can’t Pin Me Down”, de versos como “Do you really want me to write a feminist anthem / I'm happy cooking dinner in the kitchen for my husband".



O trabalho é um mergulho profundo e intenso na mente de Diamandis, que apresenta a todos o modo como encontrou a felicidade em “Happy”, metáforas elaboradas sobre a sua espera por um amor na faixa-título, sua visão acerca de um relacionamento fadado ao fracasso e os motivos que levaram a isso, na dobradinha “I’m A Ruin” e “Blue”, a tentativa de esquecer o passado no indie rock de “Forget”, entre outros, como quando critica o comportamento da sociedade na eletrônica “Savages” e sua ideia de imortalidade e perpetuação através das memórias na balada de encerramento “Immortal”.


Ao transitar entre diversas ideias com desenvoltura, apoiada por uma sonoridade diversa, mas coerente, Diamandis entrega ao ouvinte sua maior obra até agora. De fácil execução, ainda que sobre temas densos e delicados, o trabalho se desenvolve mais rápido do que realmente é, agradando à crítica e fãs desde a primeira execução. ‘Froot’ certamente será um marco na carreira da artista e já é uma das grandes obras da música alternativa, sendo possivelmente base para trabalhos futuros de muitos outros nomes.

Ouça: "Froot", "I’m A Ruin", "Blue", "Forget", "Savages" e "Immortal".

 NOTA: 9,5 / 10 

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