A pluralidade de Kendrick Lamar no cômico vídeo de 'For Free'



Kendrick Lamar é um dos maiores nomes da cena musical de 2015. 'To Pimp a Butterfly', lançado neste ano, é o quinto álbum de estúdio do rapper e ainda nos deixa boquiabertos. Em meio à evidenciação dos atos violentos de racismo pela América, ele nos lança um manifesto de esperança, tão intenso quanto a performance do rapper.

O interlúdio "For Free" é um misto entre o improviso do jazz e a ousadia do movimento hip hop. Dirigido por Joe Weil and the Little Homies, o vídeo traz um hilário Kendrick Lamar a perseguir uma belíssima socialite em uma casa requintada. Com um primeiro plano pitoresco, a narrativa inicia-se com um saxista na varanda da casa, atrás de uma bandeira dos Estados Unidos. Abaixo da sacada, um coral gospel rodeio um caricato Tio Sam, Kendrick Lamar e a geniosa mulher.

Corte para um plano no qual a socialite percorre a varanda concedendo um afiado "fora" no telefone. Então Kendrick aparece como um fantasma desengonçado, retorcendo-se e repetindo "this dick ain't free". As cenas de perseguição são entremeadas a close-ups dos instrumentos de jazz.



Contudo, quando Kendrick veste a fantasia de Tio Sam, somos apresentados ao real papel da socialite na narrativa: ela é o continente que diz nos abrigar com nossas diferenças e é incapaz de manter o discurso. Ela é a terra que nos acolhe e nos explora: "America, you bad bitch/ I picked cotton that made you rich/ Now my dick ain't free" ("América, sua vadia/ Eu colhi o algodão que a tornou rica / agora meu p* não é livre").

O vídeo de "For Free" mantém o equilíbrio entre as cargas de críticas e sentimentos otimistas dos vídeos de 'To Pimp a Butterfly'. "King Kunta", "i" e o (merecidamente) aclamado "Alright" traçam uma epopeia moderna sobre uma juventude negra que cresceu na Califórnia.

A parceria com o The Little Holmies já é a terceira no álbum: o grupo co-dirigiu os vídeos de "King Kunta" (Director X) e "Alright" (Colin Tilley). "For Free" é cômico e traduz com leveza a pluralidade de 'To Pimp a Butterfly', um álbum que, como disse Micah Singleton, do The Verge, "é perfeito.

Não há outro adjetivo que possa ser conveniente a sua grandiosidade. 'To Pimp a Butterfly' é uma amálgama imaculada de rap, jazz, funk, soul e palavras faladas. Não pode ser restrito a um único gênero. É a última evolução da Black Music, e é nada menos do que genial. (Black Music, habitada por pessoas como Curtis Mayfield, James Brown, Prince, the Fugees, Andre 3000 e D'Angelo. Uma terra onde as barreiras naturais da música não existem. Um lugar onde o principal objetivo é o avanço e a proteção da cultura)."

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