Resenha: Allie X - 'Collxtion I'



O Canadá é conhecido por possuir uma cena alternativa proeminente e, ao mesmo tempo, propícia para o surgimento de novos nomes. É nesse ambiente altamente criativo que surge Alexandra Ashley Hughes, mais conhecida pelo nome de Allie X e seu indie pop altamente contagioso.

Após o burburinho inicial gerado pelo famigerado single “Catch”, uma faixa pop de construção extremamente pop e pegajosa acompanhada de vocais precisos e deliciosos que conquistou nomes como Katy Perry e alcançou a posição 55 na Hot 100 da Billboard canadense, Hughes decidiu que era a hora de colocar novas cartas na mesa, apresentando os singles “Prime” e “Bitch”, deixando os novos fãs, hipsters e caçadores de Tumblr atordoados e sedentos por mais dessa estrela em ascensão.


Após um período de quase um ano sem divulgar nada, eis que a musicista anuncia seu trabalho de estreia. ‘Collxtion I’ foi lançado em 21 de abril e, segundo a própria, não deve ser encarado como um disco ou EP, mas sim como uma coleção de faixas que representam as ideias que ela quer passar.

O compacto é aberto com a poderosa “Hello”. Você vai se emocionar com Allie contando sobre sua redenção ao encontrar a pessoa certa e adorar a instrumentação próxima do feito nos anos 80, com um baixo poderoso, acompanhado de sintetizadores pegajosos, prontos para te levar para a pista de dança... até o refrão, quando ocorre a quebra proposital no ritmo. Isso faz com que a faixa torne-se mais interessante a cada execução e seja um dos pontos altos do registro.



Logo em seguida, somos apresentados, ou melhor: reapresentados àquela que provavelmente é uma das melhores faixas do trabalho. “Catch” é pop, esperta e certeira em todos os momentos. A canção conta com uma letra interessante e dá a entender que Allie está presa em um hospício ou uma realidade alternativa, já que falamos dela. O salvador de nossa heroína deixa de ser tão bom e mostra-se como alguém que a aprisiona, o que faz com que a faixa funcione como uma continuação natural da anterior. A instrumentação bebe das mesmas fontes da anterior, mas com uma execução ainda mais satisfatória.

Continuando a execução, outra velha conhecida nossa dá as caras. “Prime” é a terceira faixa e apresenta a cantora em uma relação intensa, abordando de uma maneira próxima das outras o tema. Sonoridade carregada de sintetizadores brilhantes e ruidosos fazem a faixa ser grandiosa e expansiva, mas não tão boa quanto as anteriores.


Dando continuidade, “Tumor” mostra-se como outra grata surpresa dentro do registro. Seu pop é refinado e permite que Allie experimente novas ideias em sua construção, mas mantendo elementos que deram certo antes, como sintetizadores pronunciados e letra forte.

“Bitch” é a quinta faixa do disco, e apresenta Hughes de forma submissa, como é possível ver em trechos como “Steal my bed, steal my heart / Whatever it takes to get you up (...) In my thoughts, in my soul Always be in your control”. Em relação à construção sonora da faixa, vemos uma produção ruidosa, onde Allie abusa das modificações em sua voz, o que dá à canção um ar sexy, se é que isso é possível, vindo da artista.


“Good” serve como um sinal para começarmos nos despedir do disquinho. A faixa conta com uma aura depressiva, apresentando a cantora como alguém que possivelmente fracassou ao tentar construir ou ser algo. Sintetizadores criam uma ambientação capaz de fazer o ouvinte mergulhar e não conseguir sair de seus acordes. A faixa consegue ser sufocante, o que a torna ainda mais interessante.

Por último, mas não menos importante, nos deparamos com “Sanctuary”, o terceiro single oficial de ‘Collxtion I’ e junto com “Catch”, a melhor faixa do registro. Uma forma brilhante de encerrar o trabalho, a faixa é uma potente declaração de amor, onde Allie declara que seu amado é seu santuário, para onde pode correr e se sentir segura, além de ser capaz de enfrentar qualquer coisa ao seu lado.

A canção bebe das mesmas referências usadas anteriormente, de modo que os sintetizadores roubam a cena e se tornam a cada instante mais grandiosos. Ouso dizer que consegue ser ainda mais forte que “Catch” e uma das que mais grudam na mente do ouvinte, com sua construção, lírica e execução impecáveis. É uma forma sensacional de encerrar o disco.


‘Collxtion I’ é rápido e certeiro ao executar sua proposta. Acompanhado do impecável vídeo de “Catch”, o pequeno trabalho consegue projetar automaticamente Allie X para o primeiro escalão do pop alternativo, nos deixando ainda mais ansiosos pelos próximos passos da artista. Seguramente um dos melhores trabalhos do ano, o compacto soa coerente e faz com que possíveis falhas passem praticamente imperceptíveis para o ouvinte.

Ouça: “Hello”, “Catch”, “Bitch” e “Sanctuary”.

COLLXTION I (2015)
ALLIE X
NOTA: 9,5/10
★★★★☆


Label X / Exodus Entertainment
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