Resenha: Florence + The Machine – ‘How Big, How Blue, How Beautiful’



A ideia de Florence Welch no meio da floresta com palhaços correndo junto dela, ou em meio a campos, rodeada por virgens em seu disco de estreia, 'Lungs' (2009), é algo pertencente ao passado, assim como parte da aura escura que a envolvia em 'Ceremonials' (2011).

Em 'How Big, How Blue, How Beautiful', terceiro trabalho de estúdio do Florence + The Machine, enxergamos uma banda já consagrada no cenário alternativo reinventar seu modo de fazer música, trazendo novos jogos de instrumentos, temas próximos da realidade de todos como a dor, revolta, paixão e encantamento. Algo que só prova a grandiosidade do novo trabalho, que ao mesmo tempo em que soa humano, soa divino, seja pela sua instrumentação recheada de metais acompanhados de coros, seja pela presença do lado humano e vulnerável evidente da vocalista.


Há notas prolongadas em diversas partes do disco, algo que Welch consegue fazer com maestria e permite que reivindique mais uma vez o posto de uma das maiores vozes do cenário alternativo. Há faixas animadas, que não vão deixar o ouvinte pensar em momento nenhum que o disco, embora trate de temas por vezes amargos, é triste. Pelo contrário: ainda que existam resquícios do eu melancólico de Florence, é possível enxergar claramente que ela aprendeu a lidar com isso e hoje em dia faz melhor uso de tudo que lhe cerca.


Florence Welch participou da composição de todas as faixas do disco. Algo muito importante e digno de nota, em tempos de mega produtores e múltiplos letristas em apenas uma canção, na qual o vocalista torna-se apenas o intérprete, por vezes sem identificação real com o que está sendo transmitido.

Sozinha, em parceria com nomes já conhecidos de trabalhos anteriores da banda como Kid Harpoon, James Ford, com quem trabalhou em “Drumming Song”, Paul Epworth ("Rabbit Heart", "Howl", "Shake It Out", "Spectrum", entre outras). A super companheira Isa Summers ou com novos colaboradores em seu projeto, como Ester Dean ("Long & Lost"), Tom Hull ("Ship To Wreck", "What Kind Of Man") e Markus Dravs ("Queen Of Peace", "Various Storms & Saints"), que já trabalhou com nomes como Björk, Arcade Fire e Coldplay, responsável pela grandiosidade presente no disco, rico em instrumentações poderosas, que fazem até o mais cético dos homens se arrepiar.

Welch deixa em todas as partes do trabalho a sua marca, garantindo que o ouvinte não duvide da procedência do álbum em momento nenhum.


'How Big, How Blue, How Beautiful', assim como seu nome, é um álbum grandioso e bonito – não existem adjetivos melhores para traduzi-lo. Mesmo as faixas que pouco se destacam em meio a tantas preciosidades conseguem manter o altíssimo nível da obra e não deixa a desejar em momento algum.

O terceiro trabalho de inéditas do Florence + The Machine será figura fácil em meio às listas de melhores álbuns do ano, sem sombra de dúvidas. E ele ainda fará muito barulho, disso podem ter certeza.





Ouça: O disco todo.



O Pick Up The Headphones ouviu 'How Big, How Blue, How Beautiful' em primeira mão, à convite da Universal Music Brasil.
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