OS 30 MELHORES DISCOS DE 2011


Final de ano é aquela coisa de feriados, festas e balanço do meses que se passaram, não é? Tem gente que aproveita para fechar o ano fazendo objetivos para o próximo e há quem não dê a mínima atenção para isso. Nós também não vamos de ficar de fora dessa e como 2011 foi um ano produtivo na música, nada mal em falar dos destaques que fizeram a nossa cabeça. Todos os registros mencionados nesta postagem foram escolhidos de acordo com o que postamos e gostamos durante esses doze meses de convivência com vocês leitores.

De mais ou menos cinqüenta discos bons lançados, escolhemos apenas trinta que merecem ser destacados. Alguns foram lançados quase de forma independente, outros foram lançados em grandes selos e gravadoras e tem aqueles que são iniciantes em tudo! Aliás, revelações estas que nos proporcionaram maior visão da música underground e comprovam que música independente não é sinônimo de música ruim - taí Oh Land, Penguin Prison e Azari & III que não me deixa mentir.

Sem delongas, confira a nossa lista de melhores discos de 2011:

 30  HOLY GHOST! » HOLY GHOST!

DFA Records

Engajados na cena eletrônica, mais precisamente a disco dos anos 80, esses novaiorquinos de nome santo trouxeram para a música algo conhecido com cara de novo. É isso mesmo, a disco do passado ganhou proporções gigantescas com inúmeros lançamentos neste ano e não pode faltar o disco de estréia homônimo do Holy Ghost!. Aliás, os caras são amigos de ninguém menos que The Rapture e James Murphy (LCD Soundsystem), inclusive apareceram em um dos clipes lançados neste ano. Para quem curte música eletrônica de qualidade, sem farofa ou firulas, Holy Ghost é uma boa opção. Recentemente fizeram cover de um sucesso dos anos 80, chamado "I Wanted To Tell Her" e convidaram Nancy Whang e John MacLean para emprestar suas vozes e colaboração na faixa. O disco de estréia foi lançado em abril deste ano pelo selo DFA Records.

Para ver e ouvir: "Hold My Breath" (), "Wait & See" () e a faixa não lançada no disco, "I Will Come Back" ().

 29  AMY WINEHOUSE »
LIONESS: HIDDEN TREASURES


Island Records

Lioness: Hidden Treasures é a primeira compilação de canções póstumas de Amy Winehouse, lançada no último dia 2 de dezembro. Antes mesmo da morte da cantora, cogitava-se o lançamento do terceiro disco ainda em 2010, porém foi adiado devido às suas complicações com o álcool e as drogas. Após sua morte, a imprensa noticiou que todo o material gravado havia sido roubado, notícia estranhamente confusa na época. Produzido por Mark Ronson, Salaam Remi, Paul O'Duffy e Phil Ramone, o álbum de canções (não tão) inéditas de Amy é uma coleção com as melhores gravações desde sua infância. Para isso, os produtores e amigos garimparam diversas gravadoras na qual ela passou, coletando pérolas nunca ouvidas antes. Apesar de não ser um disco completo e unicamente novo, Lioness: Hidden Treasures ainda ganha pontos por canções muito bem representadas, como por exemplo "The Girl from Ipanema" e "Body and Soul" com Tony Bennett.

Para ver e ouvir: "Our Day Will Come" (), "The Girl from Ipanema" () e "Body & Soul" ().

 28  IS TROPICAL » NATIVE TO

Kitsuné France

A receita de sucesso do IS TROPICAL é fazer um clipe simples, porém polêmico. Até o lançamento do vídeo "The Greeks", pouca gente conhecia esses britânicos que só usam lenços no rosto para simbolizar a anarquia e a revolução (musical?) que permeia o seu universo. Bastou a gigante Megaforce produzir um clipe de um pouco mais de três minutos com crianças "brincando" de guerra de uma forma bem peculiar e imaginária. A manifestação artística do clipe trouxe encenações do tráfico de drogas, crimes e terrorismo. Tudo isso sob efeitos de animação para criar uma atmosfera inocente na brincadeira dessas crianças. O vídeo chegou a ser barrado no Youtube e ser criticado por ONGs do mundo todo - porém não foi o bastante para eliminar qualquer indício da sua existência. Logo após surgiu o clipe para "Lies" e toda sua atmosfera tensa sobre sexo, abutres e nudez.

Apesar de toda polêmica em cima das músicas do IS TROPICAL, ainda assim não foi o suficiente para colocá-los no posto de qualquer Beach Boys por aí. Native To, acima de tudo, é um disco sobre verdades, desejos e traumas - mas não de arrependimentos. Isto está explícito tanto nas atitudes desses meninos, quando em seus vídeos. Aliás, eles possuem uma aliada de peso na sua promoção: o selo francês Kitsuné, que assina diversos artistas (novos ou não) e os coloca no topo da cena indie atual.

Para ver e ouvir:
"The Greeks" () e "Lies" ().

 27  LYKKE LI » WOUNDED RHYMES

Atlantic Records

É muito interessante ver uma artista em transição e talvez este poderia ser o nome dado ao segundo disco da sueca Lykke Li, batizado de Wounded Rhymes. Vale lembrar que a mocinha apareceu na cena musical em meados de 2008 com o debute Youth Novels - um disco bastante delicado, intenso e melancólico para uma estréia. Honestamente falando, Lykke Li não me surpreendeu à primeira ouvida com as canções "Dance, Dance, Dance" e "I'm Good, I'm Gone". Bastou o sucessor aparecer para todo amadurecimento que faltava vir à tona. A cantora simplesmente abandonou aquele clima cheio de amargura sobre relacionamentos mal sucedidos para encarnar uma poderosa cantora que fala abertamente sobre os amores da sua vida.

Em Wounded Rhymes se mostra mais aberta, cheia de energia e mais à vontade - tanto para experimentar novos sons, quanto para mudar a forma como cantava. O grande diferencial de um disco para outro está na seriedade de como trata sobre seus relacionamentos.

Para ver e ouvir: "I Follow Rivers" (), "Get Some" (), "I Know Places" () e "Sadness Is a Blessing" ().

 26  BOSS IN DRAMA » PURE GOLD

Vigilante / Deckdisc

Pure Gold é o primeiro disco de Péricles Martins, o nome por trás do projeto de música eletrônica Boss In Drama. O ano de 2011 foi palco para inúmeras estréias na vida do paranaense e conduziu à magnitude de um disco completo, redondinho e gostoso de ouvir. Para quem acompanhou as primeiras produções do rapaz, pode perceber que o seu som passou por diferentes mudanças que vão da new rave até a disco 80's. Hoje, após o lançamento do álbum, o que fica é a sensação de um dever cumprido e realizado para todos os fãs e admiradores da cena eletrônica brasileira. Canções como "I Don't Want to Money Tonight", "Disco Karma" e a homônima "Pure Gold" só comprovam que o seu som está enraizado na música pop de Prince e Michael Jackson e também na cultura brasileira - da MPB ao funk carioca.

Aliás, o primeiro clipe foi lançado em agosto com diversas referências às capas do álbum e do single, nos levando para uma viagem ao futuro psicodélico do Boss In Drama. Para quem procura novidades na música brasileira, não pode deixar este disco passar despercebido.

Para ver e ouvir: "Pure Gold" (), "I Don't Want to Money Tonight" (), "Disco Karma" () e "Favorite Song" ().

 25  YUKSEK » LIVING ON THE EDGE OF TIME

Polydor

Filho da enxurrada new rave que o Justice e o Klaxons fizeram em 2008/2009, o francês Pierre-Alexandre Busson (ou simplesmente conhecido por Yuksek) apareceu na cena eletrônica com o disco bem sucedido Away From The Sea, emplacando singles como "Extraball" e "Tonight" nas pistas de dança. Para quem não se lembra, o cara ficou conhecido após apresentar versões remixes para faixas de Lady Gaga, Mika e Phoenix. Dois anos após o lançamento do debute, o comprometimento e a seriedade com o seu estilo veio à tona com a divulgação da primeira canção de Living On The Edge Of Time, a viciante "On A Train".

"Living On The Edge Time é um disco que se engrandece por seu caráter orgânico, lembrando muito o primeiro álbum do Friendly Fires em determinados momentos, alguns ecos da estreia do Cut Copy, sem contar com todo o panteão de músicos e produtores do cenário francês. Além da ativa participação dos ritmos da década de 80, escondidos em cada mínima frequência das faixas, muito da eletrônica dos anos 90 vem exposto através do álbum, prestando sinceras homenagens ao Daft Punk ou demais nomes que despontaram durante o período".
(Miojo Indie sobre Living On The Edge Of Time, 14 de junho de 2011)

Para ver e ouvir: "On A Train" (), "Always On The Run" () e "Dead or Alive" ().

 24  YACHT » SHANGRI-LA

DFA Records

Shangri-La é o quinto álbum da banda norte-americana YACHT e com ele o seu lançamento pela DFA Records, que fez o som da banda passar por uma certa metamorfose. Digo isso porque é inevitável uma banda da DFA Records não soar como um som da DFA Records, entende? Li uma resenha que falava muito bem disso: a partir do momento que Jona Bechtold adotou Claire Evans como membro efetivo do projeto e passaram a gravar discos no selo do LCD Soundsystem, muita coisa passou a soar convidativo, inclusive a pegada post-punk das faixas "Utopia" e "Dystopia". Talvez a questão não seja esta, porém o que importa é que Shangri-La é um disco para quem quer ouvir umas boas verdades sobre a vida e seus obstáculos. Pode não soar original, mas toda pose e atitude do frontman é algo que nos faz cada vez mais apaixonados pelas músicas do YACHT.

Para ver e ouvir: "Utopia" (), "Dystopia" () e "I Walked Alone" ().

 23  AZARI & III » AZARI & III

Modular

Se 2011 foi um ano de inovações na música, ele também pode ser classificado como o ano da música pop. E definitivamente o ano fecha com a ascensão do duo canadense Azari & III. Bem antes do lançamento do álbum, canções com potencial para as pistas como "Hungry For The Power" e "Manic" foram reveladas ao mundo criando burburinhos sobre o novo projeto que estaria por vir. Sem dúvida alguma eles conquistaram o improvável na cena alternativa, resgatando todos os elementos do house, acid, disco e techno. Aliás, eles contam com a presença dos vocais tunados e viciantes de Fritz Helder e Cedric Gasaida.

Para ver e ouvir: "Hungry For The Power" (), "Manic" () e "Reckless With Your Love" ().

 22  JESSICA 6 » SEE THE LIGHT

Peacefrog

Formado por ex-integrantes do Hercules & Love Affair, a Jessica 6 é o que poderíamos chamar de continuação do primeiro álbum do projeto de Andy Butler. Vindos do Brooklyn para à cena eletrônica das grandes disco clubs, o trio é liderado pela belíssima Nomi Ruiz, que sem dúvida alguma, virou o ícone que mais bem representou a nu-disco neste ano. See The Light é o filho prodígio, fruto de um trabalho criado desde 2010 e com inspirações nos diversos estilos que cada um gosta. Se esta é a receita de sucesso da banda, ainda não sabemos, mas o que fica claro para todos que acompanharam sua jornada é que a Jessica 6 ainda tem muito o que viver! O mais recente single do álbum foi "Prisoner Of Love", com a colaboração vocal de Antony Hegarty, que trabalhou junto com a banda no Hercules & Love Affair.

Para ver e ouvir: "White Horse" (), "Prisoner Of Love" (), "Fun Girl" () e a b-side "East West Funk" (). 

 21  THE SOUND OF ARROWS » VOYAGE

Skies Above

Os suecos do The Sound Of Arrows possuem uma vasta experiência através de EPs e singles lançados bem antes de Voyage aparecer. Eles contemplavam a cena eletrônica desde 2006 quando consolidaram o projeto a fim de alternar as pistas de dança com uma atmosfera encantadora e borbulhante na música pop. Se há alguma dúvida da qualidade de suas canções, experimente os vídeos! "Nova", "Magic" e "Wonders" ganham pela fotografia impecável que permeia os photoshoots, capas de álbum e singles. Voyage é a mais bela compilação de canções sobre amor, imaginação e tempo - que mais parece nos levar à uma verdadeira viagem em um mundo cheio de maravilhas. Se hoje temos alguma certeza de algo, com certeza é sobre a sua sonoridade: ora electropop, ora experimental demais.

Para ver e ouvir: "Nova" (), "Magic" (), "Wonders" (), "Ruins Of Rome" () e "Conquest" ().

 20  LO-FI-FNK » THE LAST SUMMER

Columbia

Após cinco anos lançando apenas singles, remixes e alguns shows fora da turnê, o Lo-Fi-Fnk retornou às origens com um álbum redondinho que não fez feio para um ano de grandes lançamentos na música eletrônica. The Last Summer pode não ter o brilhantismo de Boylife, disco de estréia lançado em 2006, mas ganha pontos extras quando o assunto é sobre as referências do disco. Passeando pelo dubstep, experimental e o electroglam (que um dia foram do IAMX e do Dangerous Muse), esses suecos comprovaram que a crise do segundo disco passou bem longe aos seus olhos.

Para ver e ouvir: "Last Summer" (), "Kissing Taste" (), "Boom" () e "Marchin' In" ().

 19  BJÖRK » BIOPHILIA

Polydor

Marcado por temas que falam sobre a natureza, tecnologia e arte, Biophilia, o sétimo disco de Björk é uma emanado de produções orgânicas que vão da mais alta tecnologia até o clipe mais simples possível. O álbum foi lançado, além da versão digital e física, através do iPad com inúmeros aplicativos para entrar em sintonia com a proposta do lançamento. Os apps possibilitam maior interação do ouvinte com as dez faixas lançadas em uma espécie de conexão com o mundo natural e a música. Apesar de toda promoção bem planejada de Biophilia, o álbum em si é peculiar e mantém uma sonoridade próxima à Medúlla (2004) - difícil de digerir na primeira audição, mas que cativa pela belíssima produção.

Para ver e ouvir: "Crystalline" (), "Cosmogony" (), "Moon" () e "Thunderbolt" ().

 18  WOLF GANG » SUEGO FAULTS

Atlantic Records

Uma das revelações do ano foi o Wolf Gang, projeto do cantor e compositor Max McElligott, que chamou a atenção de entusiastas da música underground para o seu disco de estréia que surgiu na segunda metade de 2011. Ainda mais depois de anunciar que a produção do álbum ficou à cargo de Dave Fridmann, o responsável pelos álbuns do Tame Impala e The Flaming Lips. Suego Faults é um bom registro que 2011 nos deu, um trabalho que não ficou estacionado somente em suas produções eletrônicas, mas também em outros estilos musicais. O grande diferencial aqui é a habilidade de Max com a música que faz - ora cativante, ora dançante demais.

Para ver e ouvir: "Lions In Cages" (), "The King And All Of His Men" () e "Dancing With The Devil" ().

 17  PENGUIN PRISON » PENGUIN PRISON

Downtown Records

Se tem uma coisa que nós gostamos muito é descobrir novos talentos da música e Chris Glover, mais conhecido como Penguin Prison, é um exemplo disso. O cantor e compositor já passou por diversos estilos (dentre eles a música gospel e o hip hop) para chegar ao que faz hoje com o disco homônimo lançado no segundo semestre desse ano. Para quem não se lembra, o Penguin Prison entrou para a lista de artistas que merecem atenção neste ano e depois de uma longa espera com direito a datas adiadas e músicas descartadas da sua estréia, o norte-americano marcou a fase crítica da música pop com algo não tão inovador assim, mas que está longe de chegar ao senso comum. Aliás, recentemente gravou o clipe de "Don't Fuck With My Money" no ápice das manifestações da ocupação de Wall Street e sua música deve ser ouvido por todos que procuram novidades boas lançadas em 2011.

Para ver e ouvir: "Don't Fuck With My Money" (), "Multi-Millionaire" (), "Golden Train" () e "Far Warning" ().

 16  HERCULES & LOVE AFFAIR » BLUE SONGS

Moshi Moshi Records

O projeto estadunidense do DJ e produtor Andy Butler lançou neste ano, o segundo álbum de compilações inéditas do Hercules & Love Affair. Regadas com a boa música da disco dos anos 70, 80 e 90 em união com as batidas abafadas, sintetizadores eletrônicos, violinos e todo o glamour de várias décadas passadas remisturados com o que há de mais novo na música eletrônica atual. Blue Songs também marca mudanças consideráveis para os novaiorquinos: Primeiro a mudança da DFA Records para a gravadora Moshi Moshi, gravação do álbum em Denver (cidade natal de Butler) e a chegada de mais três novos integrantes: Aerea Negrot, Sean Wright e Mark Pistel. O diferencial deste lançamento é a pegada new wave que insistem em propagar, algo que não ficou visível no dançante, porém sombrio, disco de estréia homônimo.

Para ver e ouvir: "My House" () e "Painted Eyes" ().

 15  WOLFRAM » WOLFRAM

Permanent Vacation

Se nós pudéssemos dar um nome para 2011, com certeza seria "ano da música eletrônica de diversas gerações". Digo isso porque os anos 80 nunca foram tão bem representados como antes e isso é, sem dúvida, algo magnífico para se guardar. Um dos ícones relevação do ano foi o Wolfram, produtor que encabeçou logo no disco de estréia a colaboração de diversos cantores e amigos conhecidos na música. Dentre eles estão Holy Ghost!, Sally Shapiro, Sebastian, Hercules & Love Affair e Haddaway. Suas produções passeam pela nu-disco do Brooklyn dando espaço para o novo movimento new wave que agitou o ano de 2011.

Para ver e ouvir: "Fireworks (feat. Hercules & Love Affair)" () e "Hold My Breath (feat. Holy Ghost!)" ().

 14  THE WHIP » WIRED TOGETHER

Southern Fried Records

Os britânicos do The Whip sofreram críticas negativas com X Marks Destination, disco de estréia lançado em 2006 - período em que a chamada "new rave" se distanciava da música eletrônica de qualidade dando um fim na bagunça de bandas como Trash Fasion e Klaxons. Após três anos, o trio resolve lançar o sucessor da fraca estréia revelando sua preocupação com a música atual, eis que surge Wired Together. Nenhuma das dez faixas inéditas possuem algo inovador para a cena eletrônica, porém sua apresentação vem um pouco menos eufórica do que a anterior, dando espaço para uma banda madura e mais solta diante do brilhantismo que os segue. Aliás, Wired Together nos presenteia com canções grandiosas ao ponto de colocá-lo como um dos excelentes registros de 2011.

Para ver e ouvir: "Keep Or Delete" (), "Secret Weapon" () e "Shake" ().

 13  OH LAND » OH LAND

Sony Music

Oh Land é o nome do projeto da dinamarquesa Nanna Fabricius e o título do seu disco de estréia lançado no início do ano. Para quem ainda não conhece a moça, ela foi uma das apostas da BBC para este ano e não decepcionou em momento algum. Com uma sonoridade que lembra o Goldfrapp em algumas canções e Lily Allen em outras, a moça aposta em um synth-pop cheio de sutilezas, quase etéreo, que sempre destaca sua belíssima voz. Aliás, os vídeos de Oh Land são cativantes e adotam um clima retrô e muitas cores, inclusive em seus shows. Para quem aprecia uma boa voz, não pode deixar de ouvir o som desta dinamarquesa.

Para ver e ouvir: "Sun Of A Gun" (), "White Nights" () e "Rainbow" ().

 12  CUT COPY » ZONOSCOPE

Modular

"Inegavelmente o novo álbum esbanja grandiosidade. Seja pela maior duração de suas faixas ou pela instrumentação plural que acompanha o disco, o fato é tudo soa como uma epopéia da música eletrônica. O álbum é encantadoramente pop e ainda assim consegue agregar o mesmo espírito e intensidade dos discos do LCD Soundsystem de James Murphy ou demais autoridades da música eletrônica contemporânea. Se antes era o trio quem copiava, cortava e colava a sonoridade de épocas passadas, agora é possível dizer sem dúvida alguma que o grupo é dono de um som único e até então impossível de ser copiado".

Miojo Indie, sobre Zonoscope de Cut Copy. 16 de Janeiro de 2011.

Para ver e ouvir: "Take Me Over" (), "Need You Now" () e "Blinking And You'll Miss A Revolution" ().

 11  ADELE » 21

Columbia

Muita gente vai concordar: 2011 virou sinônimo de música boa e a jovem inglesa Adele está incluída na lista de coisas boas. Seguindo a mesma direção do seu disco de estréia, 19, a moça apostou mais uma vez na sonoridade lírica e moderadamente soul em 21. Se os três anos (tempo que separa o disco de estréia para o atual) te deram algo bom, com certeza foi em benefício à sua voz e performance, que atualmente se mostra mais madura e solta diante ao público. Suas composições, no entanto, continuam com a temática do abandono, relacionamentos mal sucedidos e o amor - este mais presente do que nunca. Adele conquistou inúmeras colocações na Billboard, vários prêmios e admiração do mundo todo, mas ela fecha este ciclo cuidando da sua voz - que atualmente passa por tratamentos em suas cordas vocais. Porém já anunciou para todo mundo: disco novo só daqui 3 ou 4 anos!

Para ver e ouvir: "Rolling In The Deep" (), "Someone Like You" () e "Set Fire to The Rain" ().

 10  KATY B » ON A MISSION

Sony Music

O ano também foi de grande estréia da londrina Katy B com o seu disco completo batizado de On A Mission. Marcado pelo dubstep, música eletrônica dos anos 90 e por batidas pop conhecida por muitos, a moça fez bonito com diversos singles que lançou neste ano. Há quem diga que a música pop esteja passando por uma certa instabilidade com hits cansativos e artistas nada originais. Se Robyn conseguiu nos chamar a atenção no ano passado com o seu aclamado Body Talk, neste ano com certeza a dona da vez foi Katy B.

Para ver e ouvir: "Easy Please Me" (), "Lights On" (), "Broken Record" (), "Witches Brew" () e "Louder" ().

 09  TORO Y MOI » UNDERNEATH THE PINE

Carpark Records

Underneath The Pine é o segundo álbum de Chaz Bundick, mais conhecido como Toro y Moi. Com apenas um ano de intervalo entre um disco e outro, o lançamento recebeu críticas positivas quanto à sua produção e sonoridade: usando instrumentos de verdade (não somente elementos eletrônicos) que deram uma cara nova e marcante ao projeto. O som cresceu e esquentou, foi uma decisão bem acertada e o rapaz sabia que este seria o seu ano. Aliás, Toro y Moi veio ao Brasil na edição do Planeta Terra Festival 2011 e trouxe a vibe verão para todos ouvirem em bom som. Além do disco completo, lançou ainda o EP Freaking Out que trouxe canções grandiosas para a coleção do músico.

Para ver e ouvir: "Still Sound" (), "New Beat" () e "How I Know" ().

 08  THE RAPTURE » IN THE GRACE OF YOUR LOVE

DFA Records

Após o silêncio de cinco anos desde o último disco, Pieces of the People We Love, lançado em 2006, o The Rapture lançou este ano o álbum que marcaria o seu retorno e aquele que entraria para os grandes registros do ano. Dito e feito. In The Grace Of Your Love não é um disco só para quem procura as bases que a banda trouxe desde o primeiro lançamento, mas também um convite para quem procura belíssimas composições em grandes músicas. "How Deep Is Your Love" foi a primeira música a sair na web - batidas marcantes da dance punk, pianos histéricos acompanhados de saxofones incrivelmente tocados ao som da pergunta "quão profundo é o seu amor?!". Assim caminha a vibe do novo disco do The Rapture, e se você ainda não ouviu, aconselho fazer o quanto antes!

Para ver e ouvir: "How Deep Is Your Love" (), "Sail Away" (), "Blue Bird" () e "Children" ().

 07  FRIENDLY FIRES » PALA

XL Recordings

Uma das coisas que o Friendly Fires fez questão de manter em Pala, segundo disco lançado este ano, foi a animação então conhecida da banda. Após uma sucessão de shows a fim de divulgar o primeiro disco, tudo o que os rapazes precisavam era tomar fôlego para produzir o sucessor do elogiado álbum. A produção do novo lançamento ficou a cargo de Paul Epworth, que já trabalhou com o The Rapture, Cee-Lo Green e Bloc Party. Cortejada pela vibe indie rock que predominou na indústria fonográfica, Pala é um disco com grandes registros, dentre eles a dançante "Live Those Days Tonight" - que foi o primeiro single oficial do disco. Se alguma coisa nós podemos dizer sobre o segundo álbum do Friendly Fires, é que o clima aumentou - digno de um álbum de verão - e não tinha como dar errado nisto.

Para ver e ouvir: "Live Those Days Tonight" (), "Hawaiian Air" () e "Hurting" ().

 06  THE DRUMS » PORTAMENTO

Universal / Island

Portamento, o segundo álbum do The Drums, tem todas as qualificações necessárias para ser o disco mais melancólico do ano - brigando com o último de Adele. Digo isso porque as composições não são nada felizes como a sua sonoridade e até possuem composições bobas ao ponto de cantar sobre um rapaz que quis comprar alguma coisa, mas não tinha dinheiro em "Money". No entanto há algo ainda maior que uma composição triste e depressiva nisso e ela está na capacidade da banda fazer algo simples se tornar grandioso em uma produção. Para quem gostou do primeiro disco da banda, com certeza irá gostar do segundo - apesar de não ter a vibe "aparentemente" feliz da estréia, o novo ganha na simplicidade e na ousadia que colocaram o The Drums como uma banda polêmica, depois que o vocalista aconselhou o fim do Kings Of Leon e declarou odiar o U2 e o Coldplay. Fatos à parte, Portamento é um ótimo disco que merece o nosso 6º lugar.

Para ver e ouvir: "Money" (), "Book Of Revelation" (), "How It Ended" () e "Hard to Love" ().

 05  NEON INDIAN » ERA EXTRAÑA

Static Tongues

Era Extraña poderia ser um álbum cheio de quebra-cabeças, onde cada faixa é única e responsável por uma parte do todo. A singularidade de cada canção dá forma ao trabalho mais sofisticado de Alan Palomo, mais conhecido como Neon Indian. Aliás, uma das características do álbum é a facilidade de extrair coisas sobre o amor e a vida com uma "roupagem" pesada, carregada de sintetizadores e instrumentos analógicos. Até mesmo para uma canção sobre um rapaz que acreditava que um relacionamento poderia dar certo, mas por algum motivo não aconteceu como em "Polish Girl". O verão norte-americano nunca refletiu tanto em nossas vidas como ultimamente e este registro marca bem o sentimento de algo passageiro, porém marcante.

Para ver e ouvir: "Polish Girl" (), "Hex Girlfriend" (), "Fallout" () e "Halogen (I Could Be a Shadow)" ().

 04  METRONOMY » THE ENGLISH RIVIERA

Because Music

O ano foi de mudanças para muitos lançamentos, dentre eles está o terceiro disco do Metronomy, batizado de The English Riviera, ou Riviera Inglesa, composta por três cidades na baía de Torbay, na Cornualha: Brixham, Torquay e Paington. Locais onde predominam o clima tropical presente no último lançamento dos britânicos. O clima não foi a única coisa presente no disco, para quem conhece os dois trabalhos anteriores da banda, vai perceber um ligeiro abandono da sonoridade indietrônica para dar lugar ao trabalho mais orgânico do grupo. Talvez a presença de Anna Prior, quarta integrante que entrou neste ano, deu um ar mais sofisticado para The English Riviera. Canções como "Everything Goes My Way" e "She Wants" comprovam o que estou dizendo.

Para ver e ouvir: "The Look" (), "Everything Goes My Way" (), "The Bay" () e "She Wants" ().

 03  M83 » HURRY UP, WE'RE DREAMING

M83 Recording Inc

Não é à toa que o último registro de Anthony Gonzales, mais conhecido como M83, se chama Hurry Up, We're Dreaming. Para quem conhece os trabalhos anteriores do projeto, sabe que a sua sonoridade se aproxima de algo imaginário, lúdico e muito bem produzido. Antes mesmo do disco sair, o cara disse que a proposta do álbum era revelar os diversos tipos de sonhos, desde a infância até a fase adulta, e que o nome nada mais é que a essência do álbum todo. Também confessou sua admiração por Mellon Collie and the Infinite Sadness, o álbum épico e duplo dos Smashing Pumpkins - que serviu de inspiração para o novo trabalho do M83, tanto que resultou em um disco também duplo. Aliás, conta com a colaboração vocal de Zola Jesus na "Intro" do trabalho, abrindo espaço para uma viagem através da imaginação e dos sonhos mais profundos possíveis. Não há quem não se encante pela belíssima produção e queira continuar sonhando por um bom tempo com ele.

Para ver e ouvir: "Midnight City" (), "Intro (feat Zola Jesus)" (), "Reunion" () e "Raconte-Moi Une Histoire" ().

 02  FOSTER THE PEOPLE » TORCHES

Columbia

Muitos irão concordar com a posição de Torches, disco de estréia do Foster The People, em nosso ranking de 30 melhores discos. A proposta dessa banda californiana não é simplesmente fazer um disco dentro de alguma classificação pré-estabelecida como fazem por aí, até porque talvez o som desses caras não seja classificável em nenhuma tag do seu Last.fm. Seu objetivo é, acima de tudo, fazer as pessoas dançarem com suas músicas e rirem das composições divertidas que formam o disco mais bem sucedido do ano - por algum motivo. Para uma banda estreante ainda é cedo julgar, mas é fato que muita gente vibrou com "Pumped Up Kicks", "Helena Beat", "Call It What You Want" e "Don't Stop" ao longo desse ano. Inclusive suas músicas serviram de trilha sonora para filmes e séries e também foram merecedores de vários prêmios com apenas um álbum lançado. Como eu disse, ainda pode ser precipitado julgar alguma coisa sobre o Foster The People, mas se alguma certeza nós temos é que ainda vamos dançar muito com Torches no próximo ano. A banda é uma das atrações mais esperadas do Lollapalooza Brasil, que acontece nos dias 07 e 08 de abril em São Paulo.

Para ver e ouvir: "Helena Beat" (), "Pumped Up Kicks" (), "Call It What You Want" () e "Don't Stop" ().

 01  FLORENCE AND THE MACHINE » CEREMONIALS

Universal Music

O álbum mais esperado do ano, sem sombra de dúvidas, foi o Ceremonials - segundo disco de Florence + The Machine. Mesmo antes do disco ser lançado, Florence Welch dava as dicas de como seria o lançamento. Paul Epworth foi o produtor escolhido para a produção do disco, diferentemente da produção coletiva em Lungs. A britânica procurou uma direção certa e seguiu em frente exorcizando o passado em uma espécie de celebração aos novos tempos, sem amargura e sofrimento. Uma das características do novo trabalho são as composições embasadas na religião e na vida, como dissemos antes, parece que Florence canta em uma grande igreja cortejada por um coral afinado acompanhando sua voz. É o caso de "No Light, No Light", o mais recente single que foi lançado no mês passado. Marcada pela proposta de redenção e libertação, a canção é uma confissão da moça sobre a pessoa na qual se tornou.

Ceremonials não possui o mesmo brilho que Lungs, mas acerta no quesito de canções grandiosas e por isso ganha nossos corações com ótimas composições. Se no primeiro álbum ficamos confusos com a sonoridade e a proposta, neste lançamento nós tivemos a certeza da qualidade e performance da britânica. Tenho certeza que ainda vamos nos emocionar bastante com sua belíssima voz em outros grandes discos.

Para ver e ouvir: "Shake It Out" (), "What The Water Gave Me" (), "Never Let Me Go" () e "No Light, No Light":

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